sábado, 26 de maio de 2012

SANTO ANTONIO:




“e trono que tens lá no céu” um olhar sobre nós [...]

É um texto simplório que fala sobre momentos vividos no mês de junho, pode-se considerar subjetivo, mas que não deixa de ser uma “realidade” do modo particular de cada personagem citado: crianças, jovens, pais, filhos, senhoras etc... (FRANCISCO FARIAS, 2012)






Assim que o sol se pô, irei acender a fogueira junina, voltarei ao tempo de meus pais e pedirei ao patrono desta festa: Santo Antônio, que rogue pelo sucesso e preservação desta cultura, que espalhe em cada recanto do Nordeste o sabor que traz o gostinho de tradição: a pamonha, milho assado, canjica.... Não posso esquecer de minha comadre, a companheira que me acompanha nestes caminhos do interior, que está ao meu lado nas roças teimosas deste sertão árido. Torrão que  nos suga, não só o suor do sucesso de nossas colheitas, mas também a base para construção familiar que nos representará e carregará a nossa tradição em nova geração.
É tempo de ver o parque ser montado, a ansiedade do patrono de nossa terra desfilar na cidade e oferecer em cada casa, daqueles que acreditam na misericórdia de uma terra feliz, rogada pela fé, pela esperança em prol de sua bonança. O sino da matriz já anuncia o tempo da boa vinda, a entrada do santo casamenteiro em nossa casa, a hora de minha mãe vestir aquela roupa marrom que mandara fazer para pagar aquela promessa que há tempo havia feito pelo seu filho, ou sua filha concretizar aquele sonho modesto de todo menino e menina do interior.
A bandeira já se encontra no alto, o andor se avista bem adiante acompanhado por homens e mulheres: chorosos, confiantes, esperançosos, saudosos, de pés descalços, de sentimento nobre, de roupa marrom, com uma joia branca amarrada na cintura recuperando os farrapos de lembrança da visita de Frei Damião à terra vieirense. É tempo de reunir os amigos, renovar as conversas, trazer de lá as novidades, relembrar a infância na terra natal, visitar os pais, entoar a cantiga da saudade, acenar com um gesto de alegria a todos que estão nesta procissão.
É hora de acordar com o “ Oh Antônio que foste na terra....”, de escutar de longe a banda de música tocar, de sair em alvorada, reunir-se em frente ao coreto e saudar à todos que compartilham a mesma matina “nesta vida, de luta e de dor...”.  Treze dias se passam rápidos, é hora de aproveitar cada momento, de viajar montado nos “cavalinhos” da infância, de recuperar os mesmo caminhos que não mudam, mudam-se a rotina da vida, mas o desejo de estar em festa é aquele mesmo desejo que quando menino perturbava agarrado na saia da mãe, para comprar algodão-doce, o algodão da infância.
 A festa de Santo Antônio, além de trazer o aconchego da família, é o momento de inaugurar um sapato ou uma sandália nova, um conjuntinho de roupa, daqueles do short azul, com a camisa branca de mangas azuis, pois haveria de estar combinando, assim estaria “lorde” nas noites de novena, exibindo “arrudiando” a matriz, ansioso para chegar ao final da reza para olhar os festejos juninos.
Esta noite é de balão, vamos vê-lo subindo, quem sabe o telegrama passando em toda “rua de baixo”, o show pirotécnico, o céu todo movimentado recebendo os olhares de admiração, de fé, de orgulho, sim, pois depois de conversar com o santo dentro de sua casa, era a hora de agradecê-lo com festas, com coisas bonitas, com cores. É inevitável imaginar uma senhora gentil, com a mão no peito, segurando aquele terço, que já pedia a todas as Marias mais um ano de vida, para que pudesse no próximo assisti  àquele espetáculo, consolava-se com uma lágrima, como se já estivesse com a resposta:
“- Dá-nos fé, dá-nos paz e coragem, nesta vida de luta e dor...”
Por Francisco Farias
Ideiavermelha.blogspot.com.br

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