sexta-feira, 29 de junho de 2012

Banco Central prevê PIB menor e inflação para cima


Brasília (AE) - O governo admitiu pela primeira vez que a economia brasileira vai crescer neste ano menos que o verificado no ano passado. O Banco Central revisou ontem a projeção de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) de 2012 de 3,5% para 2,5%. Em 2011, o crescimento foi de 2,7%.
Em direção contrária ao PIB, a expectativa de inflação para 2012 foi revisada para cima. Em março, a previsão era de um IPCA abaixo da meta (4,4%) em 2012. A alta do dólar, no entanto, levou o BC a elevar a projeção para 4,7%. Apesar do aumento, se confirmado, será o melhor resultado para a inflação nos últimos três anos. 

No caso do PIB, caso a previsão do BC se confirme será o segundo ano seguido de desaceleração e o pior resultado desde 2009, quando a economia encolheu por conta da crise externa. A revisão se deve, principalmente, ao fato de a atividade econômica ter crescido, desde o primeiro trimestre, mais lentamente que o esperado.
A instituição ainda não divulgou a previsão para 2013, mas afirmou que será um ano de recuperação. Destacou, entretanto, que as estimativas de analistas para o próximo ano têm sido revisadas para baixo. Essa avaliação vai ao encontro da afirmação já feita pelo BC de que a crise vai se arrastar por mais dois anos. O mesmo relatório destaca de maneira inédita que economias emergentes sofrem cada vez mais o impacto da crise na Europa e Estados Unidos.
"Prevalece uma visão de recuperação em 2013, mas a intensidade dessa recuperação tem sido revista para baixo", disse o diretor de Política Econômica do BC, Carlos Hamilton Araújo, ao apresentar o Relatório Trimestral de Inflação.
Para chegar a sua nova estimativa de crescimento em 2012, o BC cortou pela metade sua projeção para a expansão da indústria, que passou a ser de 1,9%. Também diminuiu a previsão para o setor de serviços para 2,8%. No caso da agricultura, a revisão foi mais drástica, já que passou de uma alta de 2,5% para uma retração de 1,5%.

PARCIMÔNIA
Apesar de avaliar que a atividade perdeu força, o BC diz que a política de corte dos juros continuará sendo conduzida com "parcimônia", pois várias medidas de estímulo econômico ainda terão efeito, neste e no próximo ano. Para vários analistas, parcimônia significa cortes de 0,50 ponto porcentual da Selic nas reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom). A divulgação da nova previsão derrubou os juros no mercado, devido à aposta de que a taxa básica deve cair dos atuais 8,5% para 7,5% ao ano.
A visão do BC não é, no entanto, unanimidade na equipe econômica e despertou críticas. O secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Márcio Holland, disse que o crescimento em 2012 será maior que no ano passado. Afirmou ainda que o número do BC "não é um dado que possa se tomar como sendo preciso e certo", pois não leva em conta todos os estímulos do governo para a economia. O Grupo Estado apurou ainda que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, ficou preocupado com a previsão, mas avalia que é possível crescer mais.
O BC também revisou para baixo a projeção para a inflação em 2013, de 5,2% para 5,0%, e avalia que o índice de preços ao consumidor vai ficar praticamente nesse nível no primeiro semestre de 2014.

Expectativa é de mais cortes nos juros
Kelly Oliveira - Repórter da Agência Brasil

Brasília - As taxas de juros devem continuar a cair, nos próximos meses, segundo afirmou o diretor de Política Econômica do Banco Central (BC), Carlos Hamilton Araújo. A expectativa é que a taxa de juros média cobrada dos consumidores, que em maio ficou em 38,8% ao ano, menor nível da série histórica, deve cair para cerca de 37%, ainda em junho.
Araújo reforçou também a expectativa do BC de redução da inadimplência que, na média para empresas e famílias, registrou recorde de 6% em maio. Segundo ele, a inadimplência ainda está concentrada nos financiamentos de veículos concedidos em 2009 e 2010, com prazos de pagamento muito longos, acima de cinco anos.
Segundo Araújo, no entanto, "a fonte do problema" foi eliminada em dezembro de 2010, quando o BC adotou medidas de restrição ao crédito. "A taxa de inadimplência vai recuar agora no segundo semestre", disse.
Araújo acrescentou que a redução nas taxas de juros e o aumento da renda contribuem para a redução do endividamento dos brasileiros. "Nosso cenário considera aumento moderado do crédito, mas como as taxas estão baixando, então se pode considerar que o comprometimento de renda das famílias com o serviço da dívida tende a recuar na margem", disse.
FONTE: TRIBUNA DO NORTE
POSTADO PELO BLOG O CIDADÃO

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