quarta-feira, 27 de junho de 2012

Lugo desiste de ir ao Mercosul


Assunção (AE) - O ex-presidente do Paraguai, Fernando Lugo, desistiu de participar da cúpula do Mercosul,  na sexta-feira na Argentina, para não pressionar os presidentes do bloco. O novo governo paraguaio já havia advertido Lugo que ele poderia ser processado caso tentasse representar o país ou interviesse nas deliberações da reunião. "Não desejo que os demais presidentes se sintam pressionados para analisar a situação do meu país", disse Lugo em declarações divulgadas pela emissora de televisão Canal 4. 

O ex-bispo católico havia dito na segunda-feira que pretendia viajar para a cidade argentina de Mendoza a fim de denunciar denunciar a injustiça de sua deposição durante um julgamento político durante a cúpula do bloco. "Ele disse que prefere não intervir na cúpula do Mercosul para que os presidentes participantes não se sintam pressionados pela sua presença", confirmou à Associated Press o porta-voz de Lugo, Rubén Penayo.
O ministro de Relações Exteriores José Félix Fernández havia advertido que "o Paraguai é representado pelo presidente Federico Franco e não me parece adequado que o ex-presidente  atribua responsabilidade que não tem mais" e que "se o fizer, vai se expor ao ordenamento legal da república".
O Mercosul, integrado por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, e que tem como sócios Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, Peru e Venezuela, não reconhece do governo de Franco e suspendeu o direito do país de participar da cúpula de presidentes.
A agência estatal de notícias do Paraguai, a Ipparaguay, informou que Franco declarou nesta terça-feira que é o "responsável por garantir que não haverá uma guerra civil" no país e que assumiu a presidência "para evitar um derramamento de sangue". Ele declarou também que a relação do país com a comunidade internacional está em segundo plano.
Franco afirmou que não pedirá o adiamento das eleições gerais, previstas para 21 de abril de 2013 e que três meses depois do pleito entregará o mandato a seu sucessor, após completar o período de cinco anos de governo de Lugo.
Adolfo Ferreiro, um dos advogados de defesa de Lugo no julgamento político, declarou que "a presidência de Franco é legal. Não existe nenhum impedimento jurídico à sua ascensão ao poder porque a Constituição diz que quando o poder Executivo fica vago, o vice-presidente se converte em mandatário". Mas acrescentou que seu cliente "questionou o processo do julgamento político realizado pelo Senado com um regulamento interno e não com os critérios do código processual civil, ao não outorgar tempo suficiente para o preparo da defesa". Processos comuns garantem um prazo de 18 dias para isso.
Em busca de apoio do Brasil para o governo de Federico Franco na Presidência do Paraguai, uma comissão do Congresso e de empresários paraguaios esteve nesta terça em Brasília para conversar com parlamentares brasileiros e explicar o processo de impeachment ocorrido naquele país. O grupo acusou o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, de ter tentado levantar as forças armadas do Paraguai contra os congressistas, para impedir o processo de impeachment do ex-presidente Fernando Lugo.

Itaipu
O novo diretor paraguaio da Itaipu Binacional, Franklin Rafael Boccia Romanach, disse que seu país quer interromper a venda, para o Brasil, da energia que o Paraguai não usa, informou nesta terça-feira a publicação brasileira Jornal da Energia. Romanach disse "não mais à venda de energia elétrica, ainda que nos traga dinheiro."



Crise paraguaia dominará cúpula
Buenos Aires (AE) - Com uma agenda econômica sem avanços e dominada por conflitos comerciais, a cúpula dos presidentes do Mercosul, na sexta-feira, na cidade argentina de Mendoza, será marcada pela instabilidade política do Paraguai. Suspenso do encontro dos presidentes e das reuniões técnicas prévias, que começaram ontem, o Paraguai se transformou no principal assunto e alvo de medidas dos sócios. O país não será expulso do bloco, mas deve sofrer sanções, como a suspensão temporária que o exclui de qualquer processo de decisão, segundo afirmou à Agência Estado uma fonte diplomática do Brasil.
"Não vão pegar pesado em sanções econômicas porque o país já sofre dificuldades econômicas graves e restrições comerciais da Argentina. Mas haverá sanções pela quebra da cláusula democrática", completou a fonte em referência à destituição de Fernando Lugo, na última sexta, em um processo de impeachment que durou apenas 24 horas. O Mercosul não reconhece o novo governo de Federico Franco porque considera que houve uma ruptura do processo democrático no país.
Se chegar a ser expulso do Mercosul, o Paraguai terá que pagar cerca de US$ 261 milhões correspondentes a alíquotas para poder exportar mercadorias aos países sócios, segundo cálculos feitos pelo analista Dante Sica, diretor da consultoria Abeceb.com. "Para o Paraguai seria um golpe forte porque 50% de suas exportações são destinadas ao Mercosul, enquanto apenas 2% do que o bloco exporta é direcionado aos países sócios", afirmou Sica.
Os paraguaios exportam bens agrícolas, fundamentalmente soja, têxteis, plásticos e metais, além da energia das usinas hidrelétricas que construiu em parceria com o Brasil, (Itaipu), e Argentina (Yacyretá). Ex-negociador do Mercosul, o analista argentino opina que uma expulsão do Paraguai seria uma perda não só para o país, mas para todo o bloco regional.
"Perde o Mercosul e perde o Brasil, como líder na região, que não pôde controlar a situação", afirmou. Em sintonia com a fonte diplomática, Sica opinou que a tendência do bloco seria a de suspensão do país por um período, até a realização das eleições, previstas para abril de 2013, que deve eleger o novo presidente pelo voto popular, com legitimidade.
Além da questão política do Paraguai, a cúpula do Mercosul terá a novidade da assinatura de uma declaração conjunta sobre cooperação econômica e comercial entre a China e o Mercosul. O primeiro ministro chinês, Wen Jiabao, disse, na segunda-feira, que seu país tem a intenção de negociar um acordo de livre comércio com o bloco. "Não será uma negociação fácil, mas é necessária por causa da tendência atual de fechar o mercado para a Ásia", ponderou Sica.
Em 2011, as exportações da China para o Mercosul somaram US$ 48,4 bilhões em produtos, 34,5% a mais que em 2010, enquanto importou do bloco US$ 51 bilhões, com uma alta anualizada de 37,9%. Um acordo elevaria o volume do comércio para US$ 200 bilhões.
FONTE: TRIBUNA DO NORTE
POSTADO PELO BLOG O CIDADÃO

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