segunda-feira, 23 de setembro de 2013

SNI registra articulações por mandato de seis anos

Publicação: 22 de Setembro de 2013 às 00:00

Um dos temas que dominaram os debates da Assembleia Nacional Constituinte foi a duração do mandato do presidente José Sarney. Os agentes do Sistema Nacional de Informação (SNI) acompanharam os bastidores dessa discussão. Eleito pelo Colégio Eleitoral em 1984, como vice-presidente de Tancredo Neves, Sarney assumiu o cargo com a morte de Tancredo, em março de 1985. Pelo novo texto constitucional, o sistema de governo seria o presidencialismo, com mandatos de quatro anos. Grande parte da população se manifestava por eleições diretas já em 1988, ansiosa por eleger o primeiro presidente do País por voto direto desde Jânio Quadros, eleito em 1960.
DivulgaçãoParticipação de Lula em comícios das Diretas era seguida de perto por agentes do SNIParticipação de Lula em comícios das Diretas era seguida de perto por agentes do SNI

Os constituintes se dividiam entre os que apoiavam o fim do mandato de Sarney em 1988 e os que defendiam que o presidente permanecesse por mais um ano e que as eleições diretas para presidente só fossem realizadas em 1989.

Vários documentos do SNI registram comícios pelas eleições diretas em 1988, com a relação de quais parlamentares participaram, o teor de entrevistas concedidas pelos constituintes e a síntese dos discursos dos oradores – eventos não apenas em capitais, mas também no interior do País. Nos comícios de Goiânia (GO) e de Brasília (DF), é dada ênfase à participação do então deputado Luiz Inácio Lula da Silva, que também tem sua presença registrada no evento de Caruaru, no agreste pernambucano.

Apesar de ter conquistado o quinto ano de mandato, Sarney chegou a ter apoio para ficar ainda mais tempo no cargo. De acordo com um dos relatórios do SNI, em fevereiro de 1987, o Bloco Parlamentar Evangélico teria apresentado a Sarney um manifesto de apoio a um mandato presidencial de seis anos.

No documento, o Serviço de Informação prevê até a criação de uma legenda: “O BPE, que é formado por parlamentares de diversos partidos, vislumbra a criação de um novo partido político e, para tanto, já está se mobilizando”. Os analistas do SNI chegam a listar os parlamentares que compõem o bloco, a situação política deles e as estratégias a serem usadas.

Em maio de 1988, o SNI produziu relatório no qual avaliava que “o PMDB passou a viver a pior crise política de toda a sua história. Quinze parlamentares constituintes já se desligaram da agremiação e outros 93 também ameaçam abandonar a legenda”.
O documento destaca a atuação do presidente da Constituinte e do partido, Ulysses Guimarães, em tentar manter o partido forte para as eleições de 1989, quando viria ele mesmo a ser o candidato do PMDB à Presidência, obtendo 4,5% dos votos válidos.

Para o SNI, Ulysses tentava “manter o partido unido, inclusive tentando anular as pretensões da esquerda, liderada pelos senadores MC [Mário Covas] e FHC [Fernando Henrique Cardoso], de cindir o partido e formar uma nova legenda”.

Os dois senadores efetivamente deixariam o PMDB, criando, em junho de 1988, o PSDB. Mário Covas, deputado federal cassado durante o regime militar, eleito prefeito de São Paulo e depois senador constituinte, havia participado da fundação do PMDB ao lado de Ulysses, Tancredo e Franco Montoro.



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