domingo, 21 de junho de 2015

'Coração não suportou', diz filha de idosa morta após trote no Acre

Filha chora morte da mãe após golpe de falso sequestro (Foto: Reprodução Rede Amazônica Acre)

Comoção e revolta marcaram, nesta sexta-feira (19), o enterro da aposentada Francisca Oliveira Mendonça, de 63 anos, no cemitério Morada da Paz em Rio Branco. Considerada por familiares e amigos como uma pessoa feliz e vaidosa, Francisca não resistiu a uma ligação de um número com DDD do Rio de Janeiro, que afirmava que a filha caçula dela Maria Xavier, de 31 anos, tinha sido sequestrada. Mesmo após confirmar que a filha estava bem e que o sequestro era falso, a idosa passou mal e morreu minutos depois.

Bastante emocionada, Maria Xavier relata que estava dormindo na casa da irmã quando soube que a mãe tinha passado mal. Foi a própria filha que acionou uma ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), mas a idosa não resistiu.

"Estava dormindo quando minha irmã chegou no quarto falando que nossa mãe tinha desmaiado e fomos para casa dela. Ela estava desmaiada quando chegamos, ligamos para o Samu e, para agilizar, colocamos ela dentro do carro e fomos ao encontro da ambulância. Liguei o alerta, fui buzinando para chegar mais rápido, mas ela não estava mais viva, o coração não suportou o susto e a pressão", disse.

A filha lembra ainda que chegou a conversar com a mãe sobre golpes passados por telefone e alertou a aposentada a não acreditar nos trotes. Maria Xavier diz que o desejo da família é que os responsáveis sejam identificados e punidos.

"Só queremos que a Justiça seja feita, porque hoje foi minha mãe, e é minha família que está sofrendo, mas amanhã pode ser outra família. Se não for a Justiça daqui, vai ser a Justiça divina", emocionou-se.
Francisca Oliveira morreu após receber ligação (Foto: Arquivo Pessoal)

A vizinha da aposentada, Maria Márcia, de 50 anos, foi a última pessoa que teve contato com Francisca. A agente comunitária de Saúde relembra que a amiga chegou em sua casa por volta das 5h30 pedindo socorro e entregou o aparelho celular para que ela ouvisse as ameaças feitas do outro lado da linha.

"Ela pediu para eu pegar o telefone e não falar nada, só ouvir. O cara estava dizendo que se ela não pagasse os R$ 10 mil de resgate, eles iriam matar a facadas a filha dela. Ainda tinha uma mulher figindo ser a filha da Francisca. Avisei que era um trote, mas ela não acreditava. Foi um terror", lembra.
Filhas e vizinha de Francisca, Maria Marcia (de jaqueta jeans) após enterro na manhã desta sexta-feira (19) (Foto: Aline Nascimento)

A vizinha revela que conversou com o suposto sequestrador e pediu que ele parasse com a chantagem. Ela disse que pediu para a aposentada ligar para a outra filha dela para saber do paradeiro de Maria Xavier.

"Falei que ele [o suposto sequestrador] não tinha o direito de fazer isso com ela. Que eu iria na delegacia, foi aí que ele desligou. Mesmo depois de confirmar que a filha estava bem, ela não acreditava. Estavámos em frente da minha casa e fui pegar água com açúcar na casa dela. Ouvi ela tentando falar alguma coisa e depois caiu no chão. Coloquei-a no meu colo e gritei por socorro", relembra.

Em entrevista ao vivo nesta sexta-feira, ao Acre TV, o delegado Roberth Alencar informou que a polícia está investigando o caso e alerta a população para esse tipo de crime.

“Cabe a todo cidadão sempre se precaver no sentido de conseguir informações sobre o falso sequestrador. Tem que evitar o máximo fornecer informações pessoais, geralmente o criminoso incita a vítima a falar algumas informações para que ele possa unir o diálogo e consiga ludibriar a vítima”, adverte.

Entenda o caso
A aposentada Francisca Oliveira Mendonça, de 63 anos, morreu após receber uma ligação anunciando que sua filha Maria Xavier, de 31 anos, estava em poder de bandidos, durante uma tentativa de golpe do falso sequestro. O caso ocorreu, na quinta-feira (18), no bairro Vitória, em Rio Branco.

De acordo com a vendedora Maria de Jesus Mendonça, de 40 anos, filha da aposentada, a idosa recebeu uma ligação por volta de 5 horas. "Um homem dizia que minha irmã havia sido sequestrada e seria morta se minha mãe não depositasse R$ 10 mil em uma conta bancária", conta.

O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) chegou a ser acionado, porém, não conseguiu reanimá-la. Maria de Jesus diz que desde o final de 2014, a mãe reclamava de dores no peito e estava sendo acompanhada.

*Aline Nascimento/G1 AC
 
 
o   cidadao

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