sexta-feira, 10 de julho de 2015

Luís Gomes/RN: Política e criticidade

O    CIDADAO 

Pensar nos processos políticos que envolvem o município de Luís Gomes nunca é demais, pois é através deles que somos representados ou nos fazemos representar, dentro do jogo democrático.
De qualquer forma, a política interfere decisivamente na vida da comunidade, especialmente por se tratar de uma estrutura que lida com decisões que afetam os interesses sociais, econômicos e simbólicos.
Por ser algo imperativo na vida das pessoas, a política de de um modo geral, que trata de grupos políticos, processos eleitorais, gestão democrática, participação e controle social, planejamento estratégico, merece uma postura mais crítica tanto de gestores quanto da sociedade.
Nesse sentido, uma questão que desvirtua e impede um equilíbrio maior entre poder/sociedade/governo é justamente a inversão de valores que os cidadãos fazem quanto aos processos político-administrativos.
A sociedade inverte o sentido primordial das relações de poder, em que o povo deveria ser o centro (inspirador e determinativo) de todo e qualquer processo. E como parte mais significativa, deveria exercer tal prerrogativa legal.
Mas a lógica é outra. O povo não exerce, na medida do desejável, a autoridade e o poder que possui no processo democrático de direito, transferindo de forma omissa e quase exclusiva, a condução do município nas mãos dos represetantes políticos.
E por que essa omissão? Por alguns motivos: baixo nível de escolaride e de criticidade; alto nível de dependência financeira e assistencial; mínima ou nenhuma tradição em atuação em gestão pública democrática; alta incidência de conveniências e acordos com atores políticos e consequente desencorajamento, e; sociedade inserida num contexto brutalmente conservador e burocrático.
A presença desses acontecimentos são prova inequívoca do quadro necrótico em que se encontra a política e a gestão pública de Luís Gomes. Em boa parte, a culpa é da população que pouco se importa com os desmandos e não se compromete em lutar, de forma organizada e institucionalizada, pelos interesses da coletividade.
As pessoas precisam contribuir para a formação de uma opinião pública mais crítica em relação as políticas de poder e de governo que se apresentam em nosso município. Não podemos ter, simplemente, a opinião do voto. Isso é muito limitado, é apenas a “largada da corrida”.
Longe de qualquer militantismo ou simpatia, as pessoas necessitam enxergar os problemas como parte interesssada, propor discussões e levar os outros ao envolvimento. Com interação, engajamento é possível provocar a gestão pública em torno das dificuldades. É assim que a sociedade adquire voz e poder, contribuindo com em favor de si e dos outros.
Entretanto, muitos luís-gomenses esquecem que vivem em comunidade. Esquecem que viver sem servir ao outro, perde-se a essência da existência. Esquecem que a omissão produz governantes ainda mais descompromissados. Esquecem que endeusar representantes políticos em nada favorece a uma conduta ética, humilde e criteriosa com as grandes responsabilidades.
Todos podem contribuir com a mudança que se quer. Proponha ideias! Denuncie injustiças! Não jogue lixo no chão! Cobre uma atitude convicente do seu vereador! Participe de fóruns, congressos, conferências! Discuta os problemas e ajude na formação da opinião pública! Divulgue e valorize boas iniciativas! É simplemente a prática diária da cidadania...
Assim, a ação conjunta facilita o alcance dos objetivos. Todos somos, cada um com sua forma de contribuição, parte importante no processo de qualificação da política e dos serviços públicos. Não podemos nos eximir das responsabilidades enquanto sociedade que precisa superar limitações e carências. Enquanto não pensarmos e propormos, de forma efetiva, uma política e uma gestão com mais qualidade, certamente os exemplos indesejáveis do passado continuarão a nos atormentar.
*ARFN10

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