domingo, 9 de agosto de 2015



Ser pai nos dias de hoje - Homenagem aos pais 
o  cidadao

A celebração do dia dos pais é, para todos, uma oportunidade para pensar na grande missão do pai, na sociedade em que vivemos. As mudanças rápidas e profundas, que caracterizam nossa época, atingiram também a maneira de ser pai nos dias de hoje. No passado existia, com frequência, especialmente na roça, um família ampla, formada pelos avós, tios e primos, todos na mesma casa e na mesma mesa. E cada casal normalmente tinha muitos filhos.
Mas, nas últimas décadas, a cidade moderna e as formas de trabalho impuseram a forma nuclear da família, reduzida aos pais e a poucos filhos. Essa forma implica em uma maior intimidade e mais diálogo entre os esposos e numa maior responsabilidade direta com os filhos. Além disso, no passado valorizava-se muito a autoridade do pai, enquanto que na sociedade moderna valoriza-se, acima de tudo, a liberdade. Podemos pensar naquela afirmação do Antigo Testamento que, interpretada ao pé da letra, chega até a escandalizar, nos dias de hoje, a saber: “Quem poupa a vara odeia seu filho” (Provérbios 13,24). Uma afirmação muito semelhante se encontra neste provérbio africano: “Os filhos se educam com a vara”.
Na sociedade moderna a “paridade de direitos” e as novas oportunidades abriram maior espaço para a mulher: no campo do trabalho, na política, no mundo da cultura etc. E o espírito de “liberdade”, aliado a uma sociedade sempre mais “laica”, facilitou as separações e os divórcios.
Acrescenta-se, nos dias de hoje, que os jovens, especialmente os que chegam ao ensino superior, entram no mercado do trabalho bem mais tarde, em comparação com o passado. E a crise da família leva muitos deles a aceitar o “provisório”, a não assumir a responsabilidade de formar uma própria família e a depender dos pais por muito tempo: não raramente até 30 e 40 anos. Trata-se daquela que foi definida como a “geração canguru”.
Este “quadro” da família atual, que não pretende ser completo, mostra onde, hoje, alguém se torna “pai”. Trata-se de um desafio, pois não raramente os pais de hoje são chamados a educar os filhos de uma maneira diferente de como eles foram educados.
Mas na mudança da cultura há sempre um “núcleo”, uma “essência” que não pode ser esquecida. Pai é aquele que dá a vida: deu a vida no passado, gerando fisicamente; e continua dando a vida no presente, educando, ajudando, amando, servindo.

Quanto mais os “pais da terra” se aproximam do “Pai de Jesus Cristo”, mais irão cumprir sua missão de dar a vida, de amar sem medida.
A fé cristã traz uma luz extraordinária para entender a missão do Pai. Jesus chama a Deus de “Pai”, ou melhor “Abbá”, que na língua aramaica significava “Papaizinho”: na atitude da criança pequena que se abandona com plena confiança no seu pai. No fundo “ser pai” significa tornar-se uma “manifestação da bondade de Deus”. O pai da terra foi instrumento de Deus-Pai para transmitir o grande dom da vida: e tem a missão de cuidar da vida dos filhos, cooperando com Deus, o Pai Providente.
Quanto mais os “pais da terra” se aproximam do “Pai de Jesus Cristo”, mais irão cumprir sua missão de dar a vida, de amar sem medida.
E os filhos, por sua vez, são chamados a reconhecer, a retribuir o amor recebido dos pais. E a prova maior do amor dos filhos para com os pais vai ser dada na hora em que os pais irão precisar dos filhos: o momento da doença, da velhice. Em vários lugares do mundo, não só no Brasil, há um triste provérbio que, infelizmente, retrata uma realidade frequente, a saber: “Um pai cuida de dez filhos, mas dez filhos não cuidam de um pai”. O mandamento “honra pai e mãe” é particularmente significativo na “hora” em que não são os filhos que precisam do pai, mas o contrário.
O dia dos pais nos lembra tudo isso: é o dia de manifestar, ainda mais, que amamos nossos pais.
E se nossos pais já deixaram este mundo, mais uma vez a fé cristã nos ajuda: a morte não nos separa deles. Continua aquela comunhão misteriosa, e até mais profunda, em Cristo, na espera do dia em que “estaremos sempre com o Senhor” (1Tessalonicenses, 4,17).
Que o dia dos pais una sempre mais os filhos aos pais e os pais aos filhos!

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