terça-feira, 2 de fevereiro de 2016



O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou hoje, em café da manhã com blogueiros, que vai participar "ativamente" do processo eleitoral nas eleições municipais deste ano. Lula disse que vai fazer mais política e que as pessoas "vão ver" o desempenho do PT no pleito, ressaltando que o partido "não está acabado". 
Ele citou como exemplo do que o partido vai conseguir nas eleições a confiança na reeleiçaõ de Fernando Haddad na prefeitura de São Paulo.
"Eu vou fazer mais política. Este ano tem eleições. Eu vou participar ativamente do processo eleitoral. Tem gente dizendo que o PT acabou, vocês vão ver o PT. Estou convencido de que o Haddad vai ser reeleito, para ficar no exemplo da maior cidade", afirmou Lula. O café com os blogueiros foi realizado no Instituto Lula, na capital paulista.
"Eu vou dar palpite, vou falar mais, vou conversar mais com companheiros. Vou ajudar meu partido a ganhar a eleição", continuou o petista.
O ex-presidente criticou o que chamou de "tentativa de golpe explícito", ao comentar o processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff em curso no Congresso.
"Os democratas não podem se transformar com essa tenttiva de golpe explícito, o impeachment da Dilma. Democracia é tão séria que não se brinca com democracia. Eles [opositores do governo] tentam destruir a democracia negando a política", afirmou.
Operações policiais
Lula falou também sobre as operações policiais que apuram esquemas de corrupção no país, em especial a Lava Jato. Para ele, essas investigações são possíveis porque o governo do PT criou os mecanismos para que nada fosse jogado "embaixa do tapete".

"Esse processo [investigações] existe na magnitutde que existe porque o governo criou condições para apurações", disse Lula. "Dilma vai ser reconhecida por isso", completou.
O ex-presidente, que não é investigado pela Lava Jato, criticou o que chamou de "execração pública" de alguns investigados. Segundo Lula, a imprensa "condena" os suspeitos mesmo antes de a Justiça tomar uma posição. "Os direitos humanos valem para todos os brasileiros. No Brasil, neste momento, nem habeas corpus as pessoas tem conseguido", disse.
De acordo com Lula, ele tem ouvido falar que os investigadores, ao negociarem delação premiada com os investigados, perguntam se têm algo a dizer contra o ex-presidente. "Eles querem chegar no Lula. Eu tenho endereço fixo, todo mundo sabe onde eu moro. Se tem uma coisa que eu me orgulho, neste país, é que não tem uma viva alma mais honesta do que eu. Nem dentro da Polícia Federal, nem dentro do Ministério Público, nem dentro da Igreja Católica, nem dentro da Igreja Evangélica. Pode ter igual, mas mais do que eu, duvido”, disse Lula.
"Não existe nenhuma ação penal contra mim. O próprio Moro [juiz federal responsável pela Lava Jato na primeira instãncia] disse que eu não sou investigado. Eu acho que não há nenhuma possibilidade de uma ação penal", prosseguiu Lula.
Ele também comentou denúncias de que fez "jogo de influência" a favor de empresas brasileiras no exterior. Segundo ele, essa prática é "normal" na atividade de um presidente.
"As pessoas deveriam me agradecer, porque o papel de qualquer presidente quando viaja é tentar vender serviços de seu país. Essa é a coisa mais normal. Tem uma tese de que o Lula faz jogo de influência. Como se o papel do presidente da República fosse ser uma vaca de presépio", afirmou Lula.
Economia
O ex-presidente falou também sobre o momento econômico pelo qual o país passa e disse que é preciso Dilma ter "ousadia". Para Lula, o governo precisa criar condições de retomar o crescimento, controlar a inflação e aumentar o emprego.

"O emprego deve ser uma obsessão para nós, e a inflação não pode avançar. Quem perde é o trabalhador, quem ganha são os especuladores. Precisamos continuar investindo em inovação para o país se transformar num país que tenha ascendência mundial", afirmou.
Lula ressaltou que a população também tem que fazer a parte dela para a retomada da economia, e não apenas cobrar da presidente.
"Tem que saber que nem tudo resolve por conta do síndico. Nós temos que ajudar. O povo brasileiro tem que melhorar o humor. As pessoas têm que perceber que o problema no Brasil  não é só da Dilma, envolve todo mundo, do governo aos empresários. É preciso retomar a autoestima e deixar o ódio debaixo do tapete", completou o ex-presidente.

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