domingo, 13 de março de 2016

3/03/2016 às 08:00 em: Cidades, Política

Sob temor de conflitos, grupos anti-PT tentam hoje fazer maior ato da história

 

BLOG    O   CIDADAO

Por IG
Imagem da Avenida Paulista no maior dos protestos contra Dilma, em 15 de março de 2015
Em meio ao aumento da tensão entre lados politicamente antagônicos no País, consequência das mais recentes ações contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, grupos que pedem o impeachment de Dilma Rousseff vão às ruas para fazer o que esperam ser o maior protesto em território nacional da história, neste domingo (13), em ao menos 415 cidades de todos os Estados do País.
Ao contrário das manifestações de dezembro – que contaram com adesão bem abaixo do esperado, dando certo alento ao governo federal –, os atos deste domingo têm expectativa de enorme público. Só na página do evento do protesto da Avenida Paulista, o maior entre os centenas que ocorrerão, mais de seis milhões de pessoas aparecem como convidadas, número amplamente superior ao de manifestações anteriores, incluindo a de 15 de março, quando 2 milhões foram às ruas em todo o País, segundo a Polícia Militar – 1 milhão, de acordo com o Instituto Datafolha.
Lideranças de todos os partidos da oposição passaram a semana convocando a população para os atos. Mais discreto tucano em relação ao assunto até o momento, o governador paulista, Geraldo Alckmin, confirmou que fará sua estreia nas manifestações contra o PT – e ao lado do presidente do PSDB, o senador Aécio Neves, rival dentro do partido na disputa pela vaga para concorrer nas próximas eleições presidenciais. Dezenas de parlamentares da legenda e de seus aliados também anunciaram presença nas ruas.
Além de ser a primeira vez em 2016 que os movimentos anti-Dilma fazem grandes manifestações, é também a primeira vez que os atos contra o PT são tratados com alerta real para risco de violência pelas Polícias Militares de diversas partes do País. A preocupação é de que haja conflito entre grupos pró e contra Dilma.
Ao longo da última semana, com o surgimento de novas suspeitas de crimes contra Lula, o temor de violência se tornou o discurso da vez. Foi assim, por exemplo, em São Paulo, com Alckmin afirmando que não permitiria manifestações de grupos antagônicos no mesmo local, e no Planalto, com a presidente Dilma reiterando ao menos em três discursos sua preocupação com a possibilidade de confrontos.
Os organizadores dos protestos amenizam a possibilidade de violência. “Acho difícil ter conflito. O artigo 5º da Constituição garante que qualquer pessoa é livre para se manifestar desde que não haja manifestação contrária no mesmo lugar. Então, assim como foram os protestos do ano passado, teremos o espaço livre para levantar as nossas bandeiras e confiamos nas autoridades para garantir a segurança de todos”, diz Rogerio Chequer, líder do Vem Pra Rua. “Se conseguirmos levar um milhão de pessoas às ruas em todo o Brasil, o que acreditamos que acontecerá, já vai ser um sinal bem claro de que o Brasil quer o impeachment.”
Tensão nas ruas 
A situação de tensão entre grupos favoráveis e contrários à queda de Dilma vem se intensificando há cerca de um mês, após período de relativa calmaria como consequência do recesso parlamentar, que paralisou o Congresso Nacional e a possibilidade de se discutir o processo de impeachment.
Após um ano convivendo em uma espécie de “guerra fria” – na qual se atacavam mutuamente com palavras de ordem em protestos e nas redes sociais, mas só isoladamente frente a frente, já que seus atos não ocorriam na mesma data –, em fevereiro, pela primeira vez movimentos contrários e favoráveis à presidente se viram reunidos em um espaço em comum, na frente do fórum onde Lula prestou depoimento sobre um tríplex no litoral paulista com o qual teria sido beneficiado por empreiteiras.
Na ocasião, manifestantes agiram com violência, trocaram socos e chutes, usaram paus e pedras uns contra os outros. No último dia 4, os conflitos aumentaram em tamanho e se espalharam, consequência da deflagração da 24ª fase da Lava Jato, batizada de Operação Lava Jato, que emitiu mandados de busca e apreensão contra residências de Lula e do instituto que leva o seu nome e obrigou o ex-presidente a prestar depoimento na Polícia Federal. Quando o Ministério Público do Estado de São Paulo pediu à Justiça a prisão preventiva do principal símbolo do PT, na quinta-feira (10), políticos e militantes do partido garantiram: agora é guerra.
Assim que o pedido foi divulgado, uma reunião de emergência foi convocada pela Frente Brasil Popular para discutir os próximos passos da militância a partir do momento em que o MP pediu a prisão do maior símbolo do PT. Fundado em setembro passado, o grupo reúne 65 entidades sindicais, legendas partidárias e movimentos sociais ligados ao partido de Dilma, incluindo o próprio PT, o PCdoB, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e a União Nacional dos Estudantes (UNE).
Ao mesmo tempo, o PT se mantinha em estado de mobilização permanente ao longo da noite, concentrando suas lideranças nos diretórios estaduais do partido em São Paulo e em Brasília para aguardar o desenrolar dos fatos a fim de definir a estratégia para defender o ex-presidente. A orientação, tanto aos militantes do partido quanto a seus aliados, seria definir os rumos coletivamente e evitar possíveis protestos isolados, que podem levar a conflitos com grupos anti-Dilma como os que ocorreram nas útimas semanas.
Apesar disso, ao menos duas manifestações pró-PT ocorrem neste domingo, uma organizada por coletivos de artistas ligados a movimentos de esquerda, batizado de Sem Medo de Ser Feliz – título do jingle da campanha de 1989 de Lula para a Presidência –, e outra promovida pela própria Frente Brasil Popular, em Porto Alegre.
E lideranças do partido, parlamentares e militantes de centrais sindicais admitem ser impossível impedir as pessoas de irem às ruas isoladamente, especialmente devido ao que chamam de “sentimento de enorme indignação gerado pelas injustiças contra Lula”. Sensação que deve crescer entre apoiadores do ex-presidente diante de acusações inflamadas feitas nos últimos dias.
Na noite de sexta-feira, a PM paulista foi acusada de tentar intimidar militantes ao comparecer à subsede do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, onde ocorria uma reunião a respeito de protestos – a corporação divulgou nota na qual repudiou a conotação política que movimentos de esquerda tentaram dar à ação. Na manhã seguinte, o PCdoB e a União Nacional dos Estudantes, ambos ligados ao partido da presidente, acusaram grupos de direita de pichar as fachadas de suas sedes, levando suas lideranças a comparar o episódio à ditadura militar. Tudo isso às vésperas dos grandes atos deste domingo.
Em nota, as Secretarias da Segurança Pública de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Pernambuco, Distrito Federal e Rio Grande do Sul garantem que todas as medidas foram tomadas para garantir a segurança dos manifestantes ao longo do dia.

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