quinta-feira, 2 de junho de 2016

MP apura caso de assédio de um funcionário terceirizado dentro do banheiro feminino da UFRN

O ministério publico após denuncia da estudante Isis Karine, da UFRN, abriu um inquérito civil para apurar se um funcionário terceirizado da universidade estava tirando fotos das alunas escondido dentro do banheiro feminino do setor de aulas I.
O caso veio a tona após a estudante usar sua página do facebook para expor uma grave situação que teria ocorrido no dia 23 de maio de 2016, um amigo dela enviou para o blogdobg a dramática narração da historia e o BG publicitou, afinal, essa situação tem que ser apurada até as últimas consequências.
O Caso foi registrado na delegacia e o funcionário passa a ter dez dias para apresentar sua versão ao MP.
Segue o depoimento da aluna em sua página do Facebook no dia 24/05.
“Leiam, por favor!
Não gosto de compartilhar minha vida no face, mas… Depois de muito refletir, cheguei à conclusão de que se faz necessário contar o que aconteceu comigo hoje para que sirva de alerta principalmente a nós mulheres e que não nos calemos diante dos abusos e injustiças desse mundo cheio de covardia. Sou aluna do cursinho da UFRN e hoje no intervalo das aulas fui ao banheiro com duas amigas, estávamos conversando há um bom tempo lá e não parecia ter ninguém pois estava muito silêncio, mas a última porta do compartimento do banheiro estava fechada, pedi para as minhas amigas me esperarem e decidi ir ao banheiro que tinha papel, que por sinal era ao lado do banheiro que estava trancado. Quando estava fazendo xixi, vi um celular tirando fotos minha de cima e gritei muito alto para uma das minhas amigas “Ândria, tem alguém tirando foto minha” e saí rápido e assustada, quando gritei vieram duas meninas que viram junto com as minhas amigas a pessoa tirando o celular de cima, então uma colega de sala minha subiu no vazo para olhar o outro banheiro e viu que era um homem, enquanto isso minha amiga Brenda ficou batendo na porta para o homem sair e entregar o celular para apagar as fotos. O homem demorou a sair e disse “Sou da manutenção e tenho que tirar fotos, esse é o meu trabalho” e eu disse “tirar fotos de cima? Tirar foto minha??” E começou a dizer que ele estava certo e eu fiquei muito nervosa, uma das meninas que entraram no banheiro foi chamar alguém para ajudar e veio um outro homem dizer que “se ele apagou as fotos, está resolvido” e fiquei mais indignada com isso, então saiu de dentro da sala ao lado do banheiro um professor de direito que estava escutando a discussão, e me disse “Olhe, você não é obrigada a olhar para esse homem, nem discuta com ele, vá atrás dos seus direitos na delegacia” então eu ouvi esse professor e logo após encontrei meu coordenador que estava com um segurança. Me levaram à um lugar que é da administração da ufrn (não sei bem qual era aquele lugar) mas fui com minhas amigas e testemunhas, e quando cheguei lá o homem que tirou a foto já estava lá e tinha contado o que aconteceu, só que ele não contou a parte que ele estava trancado no banheiro e que tirou a foto de cima, então a administração entendeu o que ocorreu e me aconselhou ir para a delegacia, então fui pegar meus documentos na sala e meu material, e encontrei o segurança (que estava com o meu coordenador) no estacionamento que chamou outros seguranças e esperei eles me dizerem o que fazer, e aí chegou um homem responsável pela segurança da universidade aconselhando a deixar para lá, que se ele apagou as fotos não tinha prova, eu e minhas amigas ficamos revoltadas por todo aquele constrangimento e um outro segurança me chamou e disse “não deixe para lá, eu tenho certeza que esse homem tinha más intenções”, decidi ir com as minhas amigas à delegacia e fiz um BO. Enfim, fica aqui meu relato e minha indignação. Quanto tempo ele estava ali? Quantas pessoas passaram por aquele banheiro e ele tirou fotos? Onde isso vai parar? Porque passamos por esses absurdos e temos que nos conformar que vai dar em nada? Onde está nossa segurança? Pode ser constrangedor contar o que houve, mas, mais constrangedor ainda é passar por isso e ficar calada.Que fique de alerta para todas as pessoas que como eu sofreram constrangimentos e que não se calem, quem sabe denunciando, pelo menos inibiremos as ações desse mau caráter.”

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